“A filha perdida” apresenta a instabilidade da maternidade.

Com performances admiráveis de um grupo de atores talentosos, filme parece ter a intenção de incomodar o espectador com a falta de afeto.

A atriz Maggie Gyllenhaal faz a sua estreia na direção de um longa-metragem na adaptação cinematográfica de A filha perdida, romance escrito por Elena Ferrante. O drama acompanha as férias de verão da professora universitária Leda Caruso em uma ilha paradisíaca na Grécia. Viajando sozinha e sem conhecer sequer uma pessoa no recanto praiano, Leda passa os dias aproveitando o banho de mar e trabalhando com os pés na areia.

Entretanto, seu sossego acaba com a chegada de uma família grande e bagunceira na orla grega. Em um primeiro instante, as conversas altas e a correria das crianças já parecem incomodar a professora em férias, mas a mesma permanece imóvel em sua cadeira de praia. Aos poucos, Leda passa a observar cada integrante da barulhenta reunião e seus olhos se fixam em Nina, uma jovem mãe.

Com o passar dos dias, Leda segue cada vez mais de perto os passos de Nina e sua pequena filha, Elena, que carrega uma boneca para todos os lugares em que vai. Enquanto examina o comportamento das duas, Leda ainda relembra seu passado ao lado das próprias filhas, Bianca e Martha. Contudo, a tranquilidade da estadia acaba quando acontecimentos sombrios tomam o controle da vida de Leda.

A trama de A filha perdida é contada através de relatos em tempo real e flashbacks da vida de Leda durante a juventude. As diversas facetas da maternidade são um dos temas principais do roteiro, sendo abordado de duas perspectivas similares, tanto em Leda quanto em Nina. O enredo incômodo ainda conta com a performance arrebatadora do trio de atrizes escolhido pela estreante Maggie Gyllenhaal.

O drama apresenta a atriz Olivia Colman como uma mulher misteriosa e solitária, que não parece ter laços fortes com ninguém. No decorrer da narrativa, a personagem ganha novos aspectos em sua personalidade complexa conforme vamos desvendando seus segredos, mas alguns elementos ainda seguem desconhecidos pelo espectador mesmo quando o filme termina.

Em paralelo, a jovem Jessie Buckley entrega uma performance comovente e surpreendente ao mesclar diálogos em inglês e italiano ao longo de duas horas de duração. Apesar de ser apresentada com menos destaque do que suas colegas de elenco na premissa do filme, sua breve participação se torna a mais impressionante, mostrando o seu talento para o gênero do drama.

Com poucos instantes interessantes e uma maquiagem extremamente pesada, Dakota Johnson é colocada de lado por sua companheira de cena, a polonesa Dagmara Dominczyk, que interpreta a cunhada grávida de Nina. Apesar de desaparecer em grande parte do filme, Dakota está presente em toda a narrativa, sendo citada por outros personagens ou observada de longe.

Em papéis menores, o elenco masculino é composto pelo veterano Ed Harris, por Jack Farthing e pelo marido da diretora, o ator Peter Scarsgaard. Apesar de cada um possuir uma função importante para o desenvolvimento do enredo, Maggie Gyllenhaal reforça, constantemente, que o filme é focado na perspectiva feminina dos diferentes tipos de relacionamentos.

Com atuações admiráveis de um grupo de atores talentosos, A filha perdida parece ter a intenção de incomodar o espectador com formas falhas de encarar a maternidade e a falta de afeto de algumas mulheres, que não encaram a função com sucesso. Apesar de tentar apresentar uma versão de independência feminina, o longa-metragem erra ao apresentar elementos do suspense que são frustrados pela ausência de explicação ou profundidade, e que tornam o filme confuso até o seu desfecho inconclusivo.

Veja mais detalhes em: https://www.acidadeon.com/circuitodasaguas/colunas/ao-som-da-claquete/BLOG,0,0,1708376,a-filha-perdida-apresenta-a-instabilidade-da-maternidade.aspx

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